8.1.07

Kátia Mocoronga apresenta "Gambiarra"

Kátia Mocoronga apresenta "Gambiarra" (Sociedade de Arte Dramática, Rio de Janeiro/RJ)

Um delicado trabalho de clown da atriz Raquel Aguilera expõe a vaidade inerente no ser humano. Uma mulher, no seu dia-a-dia, acordando e sonhando com os sedutores produtos de uma sociedade consumista; contudo, não estamos falando de uma mulher qualquer, nem de um clown qualquer; Raquel parte do feio, do fora de moda, do cafona, cria sua palhaça com a cara do morador de rua, que vive entre quinquilharias... de forma grotesca, a mocoronga leva seu dia-a-dia, fazendo sua ginástica matinal ao som de um programa de rádio, onde também aprende suas receitas e dicas de beleza. Tentando copiar gestos finos, toma um chá com um galã de pôster de revista, com quem mantém um romance imaginário, aliás, um triângulo amoroso onde a rival, também musa de revista, ameça seu idílio. No cotidiano dessa figura, acontece de tudo o que se pode considerar kitsch, Raquel pesquisou e encontrou pérolas do mundo mocorongo e suas gambiarras: até a antena do rádio com uma panela de alumínio para ajudar a captar o sinal (o famoso drama da palha de aço na ponta da antena), figura nesse cenário. Noutros momentos, verdadeiros achados no lixo transformam-se nos sonhos da mocoronga, como uma fita de vídeo usada com a imponência de uma bolsa grife e um cd que se transforma em um singular colar.Então, aconteceu: enquanto o universo de Kátia Mocoronga se desenhava na tenda de espetáculos, os mocorongos das praças de Paraty iam encontrando, ao refugiar-se da chuva, uma igual, alguém que contava uma história familiar, próxima de seus mundos e no olhar desfocado que brilhava, via-se: eles se identificavam! Com a arte de Raquel Aguilera, surgiu na mostra de teatro de Paraty, um fenômeno que até agora permanece inexplicável, inatingível na sua dimensão: a rua invadiu o teatro de rua, os socialmente excluídos encontraram na arte, uma forma de igualdade e um lugar comum onde poderiam ser aceitos! Afinal, é na arte que comunga-se as ânsias do homem, e somos todos homens vítimas de nossos desejos! Desejo de ser amado... cedendo a ditadura da beleza, do consumo, às vezes, vivendo de gambiarras e, noutras, parecendo mocorongos...

5.1.07

Casa Verde

Casa Verde (Grupo Milongas, Rio de Janeiro, RJ)

Praça da Matriz, local escolhido pelo Grupo Milongas para apresentação do espetáculo Casa Verde. Um grupo de atores em pernas-de-pau, recebe os que chegam e chama a atenção dos que passam, informado-lhes que ali haverá um espetáculo de teatro! Com bom humor, anunciam o tempo que resta até o início da apresentação e permitem a um dos espectadores que vá até o bar na esquina buscar um café, afinal estamos na rua e todos têm a liberdade de ir e vir! Todos riem e aguardam o terceiro sinal e, com ele, um convite a mergulhar no universo de Machado de Assis. Sim, Machado de Assis! O grupo Milongas leva para a rua a história d'O Alienista e conduz o público em uma viagem pelos meandros do inconsciente. Escolha audaciosa: a complexidade do autor se apresenta, logo de início, como um grande desafio à linguagem da rua, e só um trabalho árduo, horas de estudo e outras tantas horas de criação poderiam gerar um espetáculo que fizesse jus a sua grandeza. E parece que os meninos não pouparam esforços para criar um espetáculo digno e belo. Do colorido e alegre, o público é atirado na escuridão das dúvidas de Simão pelas mãos de dois "loucos", narradores e fio condutor da trama! Um deles, Maria Maluca, ludicamente conversa com um ovo, que embala como se fosse seu filho e assim, introduz os presentes numa questão quase metafísica: alguém sabe o que é ser normal?! No desenrolar dos fatos, um momento de lucidez poderá custar essa relação de carinho que ela mantém, atirando-a a solidão e voltamos a questionar: que preço pagamos pela normalidade?! Dúvidas que rondam a casa verde!

Criado a partir de trabalho colaborativo, o espetáculo apresenta um elenco coeso, intimamente ligado entre si e com a estética escolhida. As movimentações são limpas, ocupam todo o espaço determinado para a encenação e dá conta da imensa roda formada, que vai se distanciando quando a chuva resolve ser a protagonista. O público afasta-se apenas para se esconder em baixo das árvores, acomodar-se melhor, mas continua atento, ligado na história. As interpretações, fortes e marcantes, não perdem o brilho com a insistência da chuva; em respeito, paixão ou sei lá qual palavra poderia traduzir o que houve ali naquela praça, talvez dedicação! os atores permanecem em cena, fiéis a suas atuações e aos que os assistem, como se nada pudesse colocar-se entre eles e seus interlocutores! E seguem, questões, dúvidas, momentos cômicos outros tensos, e nesse ir e vir de sensações e pensamentos, nesse limiar entre ser e estar, sanidade e loucura, a história que Maria Maluca e Mestre Joaquim contam, mistura-se com a história de cada um. E cada um, aceita sua história embaixo da chuva, lavando suas almas! Rindo e chorando! E depois da porrada na boca do estômago, vem o afago: os espetáculo termina numa grande roda de ciranda, onde troca-se mais que energias, troca-se carinhos! E naquela momento único na Praça da Matriz, nesse fazer efêmero que é o teatro, todos têm o que comemorar: foram guerreiros leias, que não abandonaram o campo de batalha, apesar da chuva que insistia em cair...


2.1.07

Perfeição - Quando a Tempestade Nasce das Luzes

Perfeição - Quando a Tempestade Nasce das Luzes (Manicômicos/SP)

São Paulo: programas de fomento, editais públicos, organização e mobilização da classe teatral e, para completar esse caldo, um dos grandes centros de formação no fazer teatral, onde emergem discussões, teorias e o interesse por uma definição de um teatro DE rua (ou NA rua, ou DA rua, ou PARA a rua, ou ainda, teatro COM a rua... e aí está a polêmica que parece despertar mais e mais embates teóricos!). Atores, diretores e professores buscam levantar a discussão e integrá-la aos centros de formação! Vindos dessa efervescência, a Cia. Manicômicos com seu intrigante espetáculo: Perfeição - Quando a Tempestade Nasce das Luzes... Intrigante já pelo nome, forte e quase apocalíptico! Logo nos primeiros momentos, quando os atores chegam num cortejo em tom fúnebre, quebrando-o, em seguida, com um canto alegre onde formam a roda que delimitará o espaço cênico, se pensa: esses meninos sabem que estão fazendo! É um espetáculo com a cara de São Paulo, não só pela temática, mas pela intelectualidade manifesta em fórmulas bem aplicadas: o cortejo, a roda, as frases iniciais repetidas e marcadas com nuances e partituras, jogos de gestos e ritmos na fala, para que o público tenha sua atenção conquistada e não perca nada da introdução da história a ser contada... (afinal, é assim que se vende o peixe! ops, a história!). Tudo, dentro de um trabalho esmerado de pesquisa e executado com maestria! Bem o que essa capital vem buscando! A temática é atualíssima: uma cidade que cai vítima da sua busca pela tecnologia e as facilidades que dela advém. Só que engana-se quem pensa que tudo isso é tratado com peso e densidade... Aliás, se fosse assim, o grupo estaria pecando por não tornar popular o tema. O humor, também é recurso para dosar a narrativa e a crítica, se manifesta através de ironias e exageros... Assim, é o mesmo ator que faz todos os personagens que ao longo da história morrem vítima de uma misteriosa doença, que aos poucos devasta toda a cidade, levando a platéia a gargalhadas cada vez que um habitante sucumbe... haja criatividade para se morrer tantas vezes! Ao ouvir a expressão, morreu!! todos choram de rir e esperam, de olhar atento, o ator em mais uma queda... A situação da cidade, então, vai se tornando patética ante os olhos do público. E os Manicômicos arrancam longos e entusiasmados aplausos da platéia!


1.1.07

fechando a lojinha!!

bem, nas minhas reflexões de ano novo, aquelas das listinhas de coisas a fazer e etc... lembrei que ano passado, me vesti de vermelho da cabeça aos pés... queria me apaixonar muuuuuito!
pois bem, fim de ano e a lista de gatos lindos e interessantérrimos que eu dispensei é de dar inveja!!.. descobri que a única pessoa por quem eu queria me apaixonar era eu mesma...
e missão cumprida, terminei o ano apaixonada por mim, pela minha família, pela vida...
neste reveillon, usei branco!
feliz 2007!!

29.12.06

interlúdio

boa noite (djavan)

meu ar de dominador
dizia que eu ia ser seu dono
e nessa eu dancei!
hoje no universo
nada que brilha cega mais que seu nome
fiquei mudo ao lhe conhecer
o que vi foi demais, vazou
por toda selva do meu ser
nada ficou intacto
na fronteira de um oásis
meu coração em paz, se abalou
é surpresas demais que trazes
inda bem que eu sou flamengo
mesmo quando ele não vai bem
algo me diz em rubro-negro
que o sentimento leva além
não existe amor sem medo
boa noite!
quem não tem pra quem se dar
o dia é igual a noite
tempo parado no ar, há dias
calor, insônia, oh! noite
quem ama vive a sonhar de dia
voar é do homem
vida foi feita pra estar em dia
com a fome, com a fome, com a fome
se vens lá das alturas com agruras ou paz
oh! meu bem, serei seu guia na terra
na guerra ou no sossego sua beleza é o cais
e eu sou o homem
que pode lhe dar além de calor, fidelidade
(minha vida por inteiro lhe dou)



djavaniando o que há de bom!!

e como viver sem orkut!? oh! vício
então, arrumo as gavetas, me desfaço do que anda parado!
ritual de fim de ano, fechando a lojinha, conferindo o estoque... esperando o que há de novo, algo ou alguém que me desvende, será?! calor, insônia, oh! noite... então, voar é do homem!!

rose walker: ei, você! sabe o que freud disse sobre sonhar que está voando? quer dizer que na verdade estamos sonhando em fazer sexo.
sandman: verdade? então, me diga, o que significa você sonhar que está fazendo sexo?

oh! noite...

28.12.06

diário de bordo da V Mostra Rio- São Paulo de Teatro de Rua de Paraty/RJ

Ato I - prólogo da epopéia! rs

antes de começar, algumas considerações iniciais para contextualizar os leitores e a mim mesma!
pimentta, sempre diz que paraty é um divisor de águas... mas, sendo esta a quarta mostra que eu participo, o impacto não deve(ria) ser tão profundo... neste ano, eu fui sem pesos nos ombros, não tinha espetáculo para apresentar, então, livre, leve e solta era tempo de só curtir o resultado do trabalho da comissão curadora... (hhehehe) - só que, a expectativa, desta vez, foi maior, de modo que os dias que antecederam a viagem foram de grande ansiedade, mais do que em anos anteriores...
outra coisa que me irritou profundamente antes de arrumar as malas foi o assédio (rs!), muita gente querendo ir e muita gente achando que eu deveria resolver a vida de cada um por lá... putz, fiquei muito puta (se me permitem o palavreado!)... e aproveitando a vida corrida de ensaios (tinha que deixar o auto de natal afinado antes de ir!), joguei tudo pro alto e deixei de atender aos telefonemas e chamadas via MSN...
assim, peguei um ônibus para sampa na quinta-feira (7 de dezembro) tendo como companheiro de viagem o tio má... que diferente do público que me assediava, já tinha comprado as passagens e agilizado certas questões práticas pra mim... cheguei a rodoviária 5 minutos antes do ônibus sair (estava resolvendo milhares de coisas do dia a dia, como pagar contas que venceriam na segunda-feira e etc... isto porque, de paraty eu iria direto para campinas para o encontro da ASFACI)... aff, vidinha corrida! a viagem foi tranqüila, exceto pelo fato de eu ter esquecido de comprar algo para comer e tido almoçado apenas uma saladinha... quando o ônibus pegou um engarrafamento para entrar em sampa, achei que iria definhar... (nossa, agora fui dramática tipo novela mexicana! hehe)

II ato
paraty, 8 de dezembro, 4h da manhã


chegamos, eu e má, nanda e lell (que nos esperavam na rodoviária de sampa pra seguirmos viagem juntos!!) na rodoviária de paraty e quem estava lá para nos receber?! dom ailton quixote amaral, ao lado de seu fiel escudeiro, sancho harley sem pança.... ahuauahhau (opa, dom quixote entra nessa história só depois... rs). como só poderia dar entrada no hotel às dez de la matina, então... queria ver o sol nascer no cais... mas o sol nasceu no hamburgueiro onde tomamos algumas cervejas! rs... cada um com o destino que merece! huhauhau, depois que o sol nasceu, gentilmente, harley cedeu parte de sua ótima e grande cama de casal para eu e o má dormirmos um pouco... (tadinho, ele vai pro céu! estava todo feliz com uma cama gigante só pra ele... e lá vai dois bicudos pegar carona nela!!!)
depois de alguns pequenos probleminhas para dar entrada no hotel, fomos nos reunir a galera na praça da matriz como marcado na programação... dalí seguiríamos para um almoço na ilha rasa... (surpresinha de dom ailton, nem eu sabia dessa!!)
primeiro, abraço apertado no marcos do farsacena (acompanhei a ansiedade do grupo, que iria abrir a mostra com estréia de espetáculo, desde o convite que veio de uma conversa no largo da ordem em curitiba... - essa minha onipresença! rs, rs, rs.... - de lá pra cá, trocamos mensagens virtuais e fui dividindo com eles um pouco das expectativas!!), depois fofocar com a dupla fias e takumi que iniciaram parceria na II mostra e eu estava presente.... e depois colinho do fabio-sem-acento-bacante-rodrigues!! (ai, que saudade!!)... muitos abraços, beijos.... papos e nesse clima, rumamos ao cais...
enquanto esperávamos o barco que nos levaria a ilha, eu ficava zoando o povo de sampa dos manicômicos (aliás... acho que peguei demais no pé deles, hauhau, o manicômico fábio que o diga)... fotos, fotos e mais fotos!!! no barco, conversar com quem ainda não tinha conversado, rodrigo matheus, tati ogra, vivaldo.... fotos, fotos, fotos... desembarque na ilha (agora vou começar a omitir detalhes... hehehe... para preservar a integridade de algumas pessoas, inclusive a minha! rs...)
o almoço, foi maravilhoso... com direito a apresentação d'Os Apertadinhos (takumi e fiais), Ivan (Camaçari/BA) e outros que ousaram declamar versos... almoçando ao lado de marcos, conheci os demais farsacenas: lívia, luciana, willian, weskley, daniel (estes, não estiveram em curitiba!)
voltando da ilha, depois do deleite visual e gastronômico... descansar um pouco e me refazer para a maratona de espetáculos do primeiro dia!! infelizmente, o cortejo inicial não aconteceu, problemas técnicos (de atraso da galera!!) e chuva, muita chuva... chegamos a tenda às 19h embaixo do maior pé d'água... que não diminuiu em nada o brilho dos espetáculos que se seguiram...
Sonho de Uma Noite de Verão, William Shakespeare... isso me lembra uma conversa com dom ailton sobre a ausência de autores consagrados nas ruas (este ano, tivemos além do imortal salve salve idolatrado inglês, Cervantes e Machado de Assis. Jorge Amado esteve ausente por questões de direitos autorais... coisa que eu não entendo, num país onde deveríamos incentivar o interesse pela leitura.... bem, deixa pra lá!!) - acho que sou absolutamente suspeita para falar de Sonhos! além de ser fã da galera, eu participei ativamente do espetáculo.... primeiro, ganhei um beijo na boca de demétrio, depois cedi meu colo para puck, fui quase atropelada por titânia e oberon e enfim, me juntei a trupe de peter quince no papel de lua! "eu sou o luar, tudo que tenho a dizer é que sou o luar!" - hauhauhuahuahuahuahuauhau
segundo espetáulo... Quixote, alê roit e rodrigo matheus.... fala sério?! sou supeita de novo! hehehe
e pra fechar a noite, a Farsa do Bumba Meu Boi... (seguirá comentário dos espetáculos logo mais abaixo!!)... a vamos pra gandaia... val's com o farsacena, depois com ailton, depois bar da esquina, eleito pela galera pela cerveja mais barata, cerveja, rir, rir, rir, conversar com rodrigo e alê, conversar com willian, marcos e takumi... encontrar danilo e terminar no Dinho's (era esse o nome do inferninho?!) com Monique, Robson e Weskley (farsacena) e Harley... ahuahuhuhau... tudo que tenho a dizer é que a noite terminou cedo, ás 6 da manhã.... uauuuuu! caracas, pior foi minha cara de bêbada nas fotos... aff!!


(continua...)
Comentários breves, sobre os espetáculos (pra dizer que não falei das flores....)

Sonho de Uma Noite de Verão

Sonho de Uma Noite de Verão (Farsacena, Rio de Janeiro/RJ)




Noite de Abertura da Mostra Rio-São Paulo de Teatro de Rua de Paraty. Confesso minha expectativa com o espetáculo de estréia! Primeiro por ter ouvido os planos do grupo e presenciar o convite para estréia na abertura da Mostra (feito pelo curador Ailton Amaral em Curitiba - além de tudo, tive que guardar este segredo!), fato que me lançou para dentro do processo, trocando mensagens com parte do elenco e dividindo com eles um pouco de suas ansiedades. Segundo, e questão óbvia, amo o texto e qualquer montagem dele me causa expectativa, afinal, sempre se tem um ideal de como seria: as opções estéticas, os momentos imprescindíveis, o jeito de dar certas falas e as imagens a elas relacionadas... e assim, quando se vê concretizado o trabalho de outrém, fica o ego dizendo "eu faria diferente!" - e que atire a primeira pedra os que nunca pensaram assim! Junta-se a isso, minhas impressões sobre "Um Passeio com Tchékhov", espetáculo que assisti em Curitiba e que me agradou muito (e olha, isso é quase impossível, tratando-se do autor que é uma das minhas grandes paixões!); senti o FarsaCena afinado com a atmosfera tchekhoviana, em construções e interpretações impecáveis. Com este histórico, qualquer deslize acabaria com o sonho!
Fui levada a nocaute, e logo no primeiro round! Elencar os acertos do grupo com a montagem seria desmerecer pequenos detalhes impossíveis de relacionar com exatidão. Tentarei fazê-lo, mas confessando de antemão, o pecado da omissão. O convite para sonhar vem com música e uma chuva de papel colorido e é tanta delicadeza em cores, formas e sons que fica difícil não se entregar... Sem perceber, o espectador está de boca, olhos e coração abertos! Deste momento em diante, o texto de Shakespeare flui suave e dinâmico e a magia do mundo das fadas e dos elfos, faz brilhar em cada olhar um sonho! Os figurinos, onde predominam tons de rosa e vinho, são românticos e puros como os amores dos emanorados. Flores e tecidos suaves abrem passagem meio ao público para Titânia e Oberon que duelam em movimentos de artes marciais: beleza e força, contraste próprio aos deuses! Puck, com impressionante agilidade física, delicia-se em traquinices tendo o público como cúmplice! E assim, a trama se desenrola, contando os atores, com acessórios que lhes garantem assumir outros personagens e brincar de encantar. A direção, fadada ao desaparecimento em função de fazer o elenco se apresentar em uníssono, não transparece em marcas; em cena, apenas o sonho de um espetáculo afinado e pulsante, sonho vivido por todos aqueles que ousaram sonhar. E ali, embaixo da tenda, um outro sonho de Shakespeare se manifesta: somos da matéria de que o sonhos são feitos... E que este espetáculo circunde nossa breve existência!

Quixote e Sancho

Quixote e Sancho (Circo Mínimo, São Paulo/SP)

Que trio!! Alê Roit, Rodrigo Matheus e Cervantes. Já conhecia o trabalho que foi feito para a Mostra Sesc Artes Mediterrâneo, um pouco diferente na estrutura e com outros dois atores que integravam a equipe, composta por 5 duplas e coordenadas pelo Alê. Adoro o argumento, um gari que aceita as loucuras de um homem que se imagina Dom Quixote. Logo de cara o gari entrega: ele é o único que conversa comigo. Levada pelo delírio de Dom Quixote, a platéia continua sonhando, agora com dragões-lixeiras-cavalos, vassouras e pás espadas e moinhos de vento! Em duelos de malabares ou de palavras, Alê domina o jogo com a platéia e um senhor, que chamado para nomear os sonhadores, cavaleiros, dá um show junto com eles. Aqui, vou discordar de Tolstói, ao chamar o espetáculo de poético! Não se trata de dar nome a algo subjetivo, mas sim, descrever a doçura com que os dois atores apresentam a relação de dois homens, dois sonhadores que vêem no brincar de ser, uma forma mais colorida de vida, transformando metaforicamente objetos do trabalho, fazendo malabares com a dureza da realidade.


Foto: Cecília Brignol

A Farsa do Bumba Meu Boi

A Farsa do Bumba Meu Boi (Grupo de 4 no Ato, Rio de Janeiro/RJ)

Cuidado artesanal nos detalhes de figurinos e adereços, isto diferencia esse espetáculo que conta a história de Catirina que grávida, sente desejo de comer a língua do boi do coronel. O de 4 no Ato aproveita objetos simples do universo da cultura popular como cestos e sinos de vaca. Os cestos, além de delimitar o espaço cênico, servem para carregar e trocar figurinos e objetos; os sinos, são tocados com extrema precisão cada vez que o nome do coronel é mencionado e pontuam a pesquisa de recursos bem elaborada. Os atores, revezam-se nos personagens, fazendo-os vivos como figuras num jogo cênico de criatividade e bom humor, aliás, com bom humor eles mandam o recado para nossos governantes, fazendo a voz do povo ecoar pelas ruas de Paraty. Educação e cultura, eis a palavra de ordem. Foto pro orkut!

23.12.06

algumas considerações

teve gente que não se aguentou de tanta curiosidade e ficou a perguntar: por que a ode aos cariocas?! bem, eu precisava dizer algo a respeito dos dias vividos na mostra rio-são paulo de teatro de rua em paraty... como ainda estava na loucura de apresentações e outros compromissos, não dava pra sentar e elaborar um texto, então... adriana calcachoto falou por mim.. falou da saudades dos malucos com quem passei três maravilhosos dias...

com mais tempo, relatarei a viagem no meu diário de bordo... ailton nem vai acreditar!!

tá difícil terminar o texto, porque muitas lembranças vão e vem, tomam a frente de outras... foram tantas emoções... fortes, loucas... sei lá... eu estava absolutamente sensível... na dificuldade em escrever... postei fotos com pequenos comentários no meu multiply... lá, os curiosos de plantão poderão conferir um pouco do que estou falando através das imagens (e cada vez mais eu amo fotografias!!)

para ver as fotos, click aqui!!

claro que muitas coisas serão impossíveis de registrar! como as brincadeiras com o elenco do FarsaCena... hehehe... entre outros motivos, não vou conseguir relatar o contexto e os gestuais... hahahaaha... também não chegarei nem perto de algumas experiências malucas que me fizeram derramar lágrimas (opa, desta vez não passei nem perto de manter minha fama de má, fui a mais manteiga derretida...)

sensível?! é que 2007 está chegando e eu aguardo ansiosa.. adoro anos ímpares, e 2007 além de ser ímpar, somando os números dá outro número ímpar e que por sinal é meu número pessoal... xiiii, muita numerologia, né?! mas, o que eu estou tentando dizer é que pressinto muitas mudanças... pressinto um novo ciclo.... afinal, não é à-toa que estou enfrentando as pendências do meu passado!? isso já aconteceu uma vez.... em 1999, pressenti mudanças... e foi um ano muito importante! saí de uma crise de depressão, voltei a conviver com uma amiga-irmã muito querida, passei a trabalhar profissionalmente SÓ com teatro e terminei o ano ao lado do grande amor da minha vida e graças a ele voltei a falar com meu pai depois de dez anos!! sai de um estado de estagnação total para de realização plena... acontece que nesse processo, algumas coisas ficaram para trás... alguns sentimentos adormecidos nessa depressão, algumas pessoas... enfim, este ano foi o tempo de colocar essas dívidas em dia... retomar, inclusive meu relacionamento com minha família, que agora ocupa o primeiro plano....

podem vir, senhoras mudanças!
quem sabe eu não me mudo pro rio?! hauhauhuahuahua
ou curitiba!?
vontade não falta!

17.12.06

ode aos cariocas!

ainda me sentindo em paraty, graças aos scraps cariocas!!

Cariocas
Adriana Calcanhotto
Composição: Adriana Calcanhoto


CARIOCAS SÃO BONITOS
CARIOCAS SÃO BACANAS
CARIOCAS SÃO SACANAS
CARIOCAS SÃO DOURADOS
CARIOCAS SÃO MODERNOS
CARIOCAS SÃO ESPERTOS
CARIOCAS SÃO DIRETOS
CARIOCAS NÃO GOSTAM
DE DIAS NUBLADOS

CARIOCAS NASCEM BAMBAS
CARIOCAS NASCEM CRAQUES
CARIOCAS TÊM SOTAQUE
CARIOCAS SÃO ALEGRES
CARIOCAS SÃO ATENTOS
CARIOCAS SÃO TÃO SEXYS
CARIOCAS SÃO TÃO CLAROS
CARIOCAS NÃO GOSTAM
DE SINAL FECHADO

13.12.06

vida em movimento...

e o blog, parado!

eu ia escreve sobre um amigo que se foi (calma, nada trágico, foi pro outro lado do atlântico), mas logo estava arrumando as malas para Paraty, então ia contar sobre a mostra, mas meus pensamentos andavam confusos e ia escrever sobre eles, daí chegou Paraty, pensei em postar algo por lá, principalmente por que queria deixar uma mensagem especial sobre o dia do palhaço, falando um pouco do Bombril, este sim, nos deixou e foi lá pra cima... então, recebi um e-mail do outro lado do Atlântico que despertou em mim tantas outras coisas. acabou Paraty e nada escrevi... (até rimou! rs)... cheguei em Campinas (onde estou agora) e pensei: assim que descansar, eu escrevo sobre tudo isso, queria falar sobre sentimentos e coisas pensadas durante a viagem... fui pro encontro da ASFACI e daí saiu o resultado do prêmio estímulo ao Circo da Funarte e todo mundo tava comemorando.. eu, nem sei mais por onde começar....

eita vida! intensa....

mas, até que estou respirando... sentindo a brisa...
e pra dizer a verdade, tenho medo de voar...
voar? quem já leu "Como Água para Chocolate"? minha vida se resume num medo enorme de voar... bem, Sandman também pode explicar isso... o fato é: quando se chega ao pico máximo da felicidade... você voa...
então, cuidado!
se eu me desprender, pra onde irei?

xi, o post está ficando confuso e subjetivo? ando a flor da pele... chorei em Paraty, algumas vezes... chorei com notícias de Tel Aviv... chorei com o resultado do prêmio... felicidade em pedrinhas brilhantes que rolam e anunciam o vôo!

28.11.06

e falando em MORPHEUS...

essa tb é do universo do SANDMAN... só não sei de que história porque a roubei da comunidade do orkut... há muitas histórias dele que ainda não li... snif... mas eu vou completar minha coleção!

Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como 'talvez devêssemos ser apenas amigos' se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor.

Odeio o amor.

agora me respondam: é ou não é viciante!?

25.11.06

despedida...

O preço de se ter aquilo que se quer é ter aquilo que um dia se quis.
(Sandman)

simples assim...

e como prometido:

Wherever you go
Whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes
Or how my heart breaks
I will be right here waiting for you
(Richard Marx)

estarei torcendo por sua felicidade a cada dia da minha vida!!!!

21.11.06

falta de assunto??

fiquei pensando... a falta de posts seria falta de assunto?
ou eu ando falando na lata tudo o que eu penso e por isso não estou precisando lançar mão da subjetividade que impera nesse mundinho?!

mas tem tanta coisa acontecendo...
queria contar tudo, mas cadê tempo!!

bom, só pra atualizar.. o MP3 que o pimentt´s comprou pra mim no mercado livre chegou... tô curtindo o vermelhinho (ele é vermelho, ou vcs acharam que eu conseguira comprar de outra cor!? rs...) então, coloquei nele as antigas músicas do bon jovi... hehehe, coisa mais adolescente!! rs... rs...

também voltei a jogar RPG graças ao encontro que rolou por aqui e eu ajudei a organizar... (hum, preciso postar sobre o encontro!!)... bem, o passado bate a minha porta!!

ah, mais passado: comprei "A Casa de Bonecas" do Sandman... agora só falta voltar a ler batman... (será isso síndrome de perter pan?! será que freud explica?!)

18.11.06

tá difícil trabalhar....

gentem... tem hora que é difícil trabalhar...
é o que acontece neste exato momento... estou tentando ensaiar o auto de natal que nosso grupo de teatro fará para a secretaria municipal de cultura, mas....
explicando: a casa de cultura, antigo reduto dos atores da cidade, ainda está fechada para reforma (afff!!!!), então só nos resta contar com a colaboração de amigos, que sensibilizados com nosso drama, nos sedem seus quintais, garagens e etc., para que possamos realizar nossos ensaios e reuniões de produção.
então, nosso amigo mi e nosso amigo kinouchi, gentilmente cederam a sede da revista deles para realizarmos nossos trabalhos! a gente chega, tem 5 computadores conectados a internet, um quintal imenso com piscina... home theater e churrasco! com o sol, que faz nessa cidade, não estamos conseguindo trabalhar, acho que a produção das fotos de divulgação vai ficar pra noite... afinal, esqueci de carregar as pilhas e isso vai demorar pelo menos umas quatro horas.... hehehe
eu até queria trabalhar, mas hoje.... tá difícil!

15.11.06

atendendo a pedidos!... xô poeira

poeriaaaaaaaaa
poeiraaaaaaaaa
poeiraaaaaaaaa
eu disse: xô, xÔ, xÔ, poeriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

atendendo a pedidos, depois de um mês sem postar! hehehehe
li o comentário do ailton e me deu vergonha! até ele atualizou o paraíso e eu aqui, sem escrever uma linha!! afff...

mas ontem eu descobri porque não consigo mais postar... minha vida anda pra lá de eclética, então, não dá pra em um único texto descrevê-la...
mas, sou brasileira e não desisto nunca, vou tentar:

depois de perder hora e não ir dar aula, afff! fui acordada pela maria alice que estava confirmando o horário do ensaio de logo mais. ensaio, comprar tecido e aviamentos para fazer figurino, depois reunião de agendamento do projeto "autos de natal"... saí da reunião rapidinho para ver o filme: freud além da alma... fui almoçar às 20h, comida mexicana... (bem, alguém sai de um filme sobre as teorias do freud e vai comer taco com chilli e guaca mole?!?!?) - isso, nem freud explica!!!
resultado, o povo estava lá no mexicano fazendo um happy hour (as garotas etílicas + o tavinho!!) e eu fui ficando... lá pelas tantas... tavinho se dá conta de que estava de bicicleta, os casaisinhos apaixonados se beijando e tavinho disparando:

eu não beijo ninguém, não como ninguém, e ainda tenho uma bicicleta pra levar pra casa!! ai como eu sofro.. ai como sou sofrido!!

meu, cheguei em casa com o abdômen marombado de tanto rir! como eu tava bêbada, não dava pra vir pra net.. então fui fazer tricô! oh, vida surreal!!
p.s. hoje encontrei o cardápio do bar junto com meus livros, pode uma coisa dessas?!

15.10.06

horóscopo!

tem dias....
que a gente não devia sair de casa sem ler horóscopo!!!


Seu horóscopo

Momento de dar mais atenção para o que as pessoas do seu convívio esperam de você. Não se trata de agir de acordo com o que dizem, mas de ouvir o que há de útil para você.

Dica do dia

Seus amigos hoje poderão ser um pouco agressivos com você, ou pelo menos, esta será a sua sensação com relação a eles. Fique atento/a.
é só isto!


I'm sad... very sad!!

2.10.06

Carta ao Sr Lula e aos Companheiros Petistas

Caríssimo Sr.Presidente da República, Acessores e Militantes do Partido dos Trabalhadores,


O Estado de São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e quase sempre exemplo para os outros estados, sendo assim, acredito que seja de suma importância considerar alguns pontos essênciais para lidar com os eleitores deste estado. Acredito que o Sr. com suas tarefas em Brasília ou em viagens representando o nosso país, distânciou-se da realidade de seus eleitores paulistas, assim como seus acessores e talvez, meus colegas militantes, não se dêem conta da difícil tarefa de dialogar com eleitores desse nosso estado, então aí vão algumas preciosas dicas:

Primeiro, como o Estado mais capitalista do Brasil, o importante é atingir os objetivos, isto é: acumular capital. Se o capital for engordado com dinheiro público tanto melhor, afinal, não estará onerando os empresários nem as empresas do estado. Fidelidade partidária significa não trair seus colaboradores nas campanhas e colaborar para que eles também engordem seus caixas 2 com dinheiro público, enfim, o que é público deve ser rapidamente transformado em privado... achado não é roubada e o dinheiro público dando sopa é inadmissível. Abaixo o disperdício! E se alguém lhe perguntar o que fez com o dinheiro, simplemente responda: ROUBEI MAS FIZ!

Segundo, não importa como nem porquê. Os fins sempre justificam os meios. Temos como ídolos pessoas limpas, que assumem o que fazem! É isso que queremos, transparência! E quem somos nós para julgar?! O mais importante é não fugir ao debate e reponder sempre as perguntas, e quando questionado nem precisa se ruborizar, só responda: ROUBEI MAS FIZ!

Terceiro, e talvez o mais importante: para quê, apresentar plano de governo? Não desperdíce seu precioso tempo em plenárias, discutindo com a população e a militância o que fazer. Os brasileiros, principalmente os do estado de São Paulo só precisam de uma única coisa: obras faraônicas! Plano para educação: construa escolas; plano para saúde, construa hospitais, prontos-socorros e, principalmente, compre ambulâncias; plano para segurança, construa presídios e compre carros chiques para os policiais circularem, isso eleva a auto-estima da corporação (afinal qual trabalhador que ganhando salário mínimo pode se dar ao luxo de dar um cavalinho de pau com uma blaser, heim?!); plano para cultura?! esse é o maior disperdício de todos, esqueça! definitivamente, esqueça! daqui a alguns anos os paulistas sairão do ensino médio analfabetos, portanto, economize seu tempo e o dinheiro do Estado!

São estas as dicas! Não se preocupe se tudo soa como novidade, muito em breve o Sr. entederá com clareza o que estou querendo dizer. E saiba, o Sr. poderá contar com Paulo Maluf e Celso Russomano para ajudá-lo, tudo isso, graças aos paulista!


Saudações (mesmo que soe estranho) socialistas!
Sua eleitora fiel!