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7.11.11

(dez)encontros

 I
ele  - o que você está olhando?
ela respira fundo - eu não devia ter vindo...
ele - bom, não foi isso que eu perguntei...
ela - escuta, isso tudo já está muito bem resolvido aqui dentro, ok?! e já faz tempo! gosto de você como um irmão...
ele - você olha assim para o seu irmão?
ela - não! não há nada nele que me atrai e...
ele - e?
ela levanta subtamente, pega a bolsa - definitivamente, eu não devia ter vindo - bate a porta atrás de si... na rua, a chuva fina lava seus pensamentos delicadamente sem deixar escorrer a fantasia que tinha vestido para essa noite: eles conversariam, muito... relembrariam as noites de festa, as noites em claro, a noite na rede... então ele chegaria bem perto dela, arrumaria gentilmente uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, olharia no fundo dos olhos dela e a beijaria...
ele sozinho, pega o violão e dedilha a canção que fez para ela... quem sabe um dia ele criaria coragem e... tocaria a canção para ela que ouviria com um irresistível sorriso nos lábios, os braços cruzados sobre as pernas cruzadas, um pedaço do colo a mostra e... ele a abraçaria forte, e nunca mais a deixaria ir...

24.7.11

mundo fake ou "ao vivo no estúdio"...

outro dia, no estúdio... enquanto o arquivo da nossa gravação carregava, nosso caro técnico mexia em uma música - sertanejo universitário, sabe? - e nos contou o processo todo de criar uma música aovivonoestúdio... caracas, tinha uma multidão cantando a música dos ilustres desconhecidos e até  garotas que gritavam os "lindos" e "eu te amo" da tietagem e pasmem... tudo, mas TUDO produzido no estúdio... aff... só quatro garotas, cantando quatro vezes e então tudo junto já são dezesseis vozes e isso com efeito de eco...!!!
 
é! o mundo é fake.... música e sucesso fake, relacionamento fake... personalidades fakes e a insuportável bondade fake....
 
é... o que a psicologia chamava de máscara, hj a gente pode entender como fake... você escolhe seu perfil e fingi ser o que queria ser e não é...
 
e se as pessoas têm dificuldade em lidar com seus id, egos e superegos (muita gente junta e misturada) imagina lidar com as personalidades que criam em redes, relações e etc??!!

4.1.09

domingo, chuva, preguiça, mais chuva, mais preguiça, sono.....
essa é a fórmula do dia!

eu adoro chuva, mas... alternada com dias de sol, né?! rs
chuva a tantos dias me deixa nostálgica! dá saudade de quem está longe... vontade de abraços daquela pessoa especial... dá vontade de ter minha avó por perto pra fazer bolinho de chuva e chocolate quente... saudade do tempo em que ficava feliz de ver as gotas de chuva escorrendo pela janela... acho que as responsabilidades da vida adulta nos torna chatos! quando se acorda e está chovendo já se lembra da roupa pra lavar, do programa que furou... só vemos o lado ruim da água caindo... bom, mas hoje é o último dia de folga e não posso disperdiçá-lo lamentando a chuva... então, porque não voltar à infância?! tá... eu mesma tenho que preparar os bolinhos, mas e daí?! talvez substituir o chocolate quente por um chá (por causa da chuva não fui ao supermercado e não tenho chocolate em pó) e ficar lembrando... e sentindo... passar o dia de pantufas, sem tirar o pijama... experimentar a rebeldia de não escovar os dentes... e numa trégua, ver no quintal as plantas a sorrir com as gotas que brincam em suas folhas...

27.9.08

duas histórias...

mariana queria encontrar algo... mexeu e remexeu o conteúdo de sua bolsa... impaciente, virou a bolsa sobre a mesa, esparramou todo o conteúdo. bolsa de mulher... o que ela queria deveria estar atrás da pia da cozinha ou escondido entre os tickets do cartão de crédito ou ainda, quem sabe, embrulhado num papel de chicletes. aliás, tinha um chiclete mascado grudado ao pen driver...

zandali queria encontrar algo... mexeu e remexeu seus sentimentos... impaciente, explodiu em lágrimas ácidas e incessantes, esparramou todo o conteúdo. cabeça de mulher... o que ela queria estava bem ali a sua frente e ela não sabia, seu querer estava escondido em um lugar bem lá no fundo, até então, inatingível para ela mesma. aliás, tinha um desejo mascado grudado a alma...

mariana aproveitou o momento. descartou o que não era necessário, agrupou os semelhantes e colocou cada coisa em seu devido lugar... zandali tentou aprender com mariana como se fazia.

3.7.06

sentidos...

platéia do teatro municipal (em dia de premiação do festival de teatro sacro)

um garoto (sentado ao lado de zandali): eu ouvi o apito do juiz e fiquei esperando (pausa), quando o narrador disse ?ricaaaaaaaaardo?, eu vibrei... portugal foi pra semi-final!

atenção leitor: releia a frase acima e preste bastante atenção aos verbos... OUVI... ESPERANDO...

perceberam algo diferente? foi esse diferente que me chamou a atenção... vou ajudar: o garoto em questão não VIU o jogo... ele ouviu o apito do juiz na cobrança de penalti decisiva e ficou esperando... e quando o narrador gritou o nome do goleiro da seleção de portugal, ele comemorou (da mesma maneira que eu, fã incondicional de felipão!!)

iniciamos uma conversa. meu amigo joão perguntou o que ele (o garoto) achou do desempenho da seleção brasileira: o brasil não foi e amanhã já está voltando! (gargalhadas)

começa a peça que abriria o evento. uma versão bem humorada de Romeu e Julieta por meus amigos zé braz e lilico... um momento de ação física (sem falas) e o garoto me pergunta: o que está acontecendo? passei a narrar as movimentações cênicas mais importantes... o garoto ria de tudo, inclusive daquelas falas que a gente acaba perdendo por descuido auditivo.

finda a peça... inicia-se a solenidade de entrega dos prêmios... então o garoto me pergunta: como é o troféu? descrevi-o, com dificuldade porque a distância e a pouca luz não me permitia enxergar com precisão. (depois, quando eu fui chamada ao palco para entregar um dos prêmios, a primeira coisa que fiz foi examinar minuciosamente o troféu pra contar ao meu amigo!)
mais uma atração, um balé... o garoto me pergunta como é a dança... passo a narrar a coreografia, identificar as bailarinas pelas cores das roupas e comento que a música está sendo executada ao vivo por um homem vestido de branco ao piano no fundo do palco...

mais uma brincadeira entre eu e o joão... o garoto diz a joão: ela (eu) tem um bom coração, dá pra perceber pelo tom da voz.

o garoto é chamado ao palco para recitar um de seus poemas (ele é poeta!). mãos geladas, acanhamento... quando voltou estava tremendo! disse-me que ficou nervoso... (ué, você pode se perguntar: mas ele não pode ver a platéia, ficar nervoso porque? pois é, ele não podia ver mas sabia que ela estava lá, olhando pra ele... olhando o garoto do escuro brilhar!). platéia sempre dá frio na barriga!

depois o garoto comentou sobre o meu cheiro... perguntou se eu estava usando hidratante da natura... e assim... findou-se a noite, uma noite que me revelou cheiros, um tom de voz, uma rapidez de raciocínio e sagaz observação de detalhes, que me despertou para minhas próprias capacidades, me aguçou a curiosidade.... que me desvelou uma superioridade dos sentidos... que me mostrou uma igualdade gritante em um ser que muitos consideram diferente, deficiente... um garoto que vive no escuro, mas que me inspirou muitas cores, muita luz!

25.11.05